terça-feira, 26 de outubro de 2010

Radical conta experiência na Missão Batista Cristolândia

"Eu estou indo para o terceiro estágio do crack. O primeiro é fumar a pedra, o segundo é fumar a raspa (quando eu empresto o meu cachimbo em troca de pedra, porque estou sem grana, fica uma raspa da pedra no cachimbo e ela é mais forte que a pedra... a "brisa" é maior) e o terceiro é "tochar". E quando acaba a raspa e eu fumo o próprio metal do cachimbo derretido... é da hora! Mas eu não sei se eu agüento porque é muito forte e acaba mais depressa com a gente...e eu não quero morrer".

Esse é o relato de C., 36 anos, mãe de cinco filhos, grávida de nove meses no dia desse relato. Uma mulher bonita, bem articulada, que não quer morrer, pois o 4º estágio depois de "tochar" é a morte. Ela já foi mulher de bandido, foi presa e seu marido morreu quando estava na cadeia. Por ser esposa de traficante, recebeu honras e muito dinheiro, mas quando saiu da cadeia para poder se manter, conheceu um cara que a viciou no crack só para roubá-la. Entrou no crack para emagrecer, pois estava acima do peso e o crack inibe a fome. Quando se deu conta, era violentada e sofria maus tratos por parte do cara que a viciou, ouvindo que ela, agora, não era mulher para ele, pois tinha virado um trapo, uma "nóia" (viciada).

C. encontrou forças para entrar na missão depois de muito resistir... sentiu paz e a presença de Deus ao conversar comigo. Sem rumo e sem esperança, saiu da missão com promessas de voltar para o culto do meio-dia, mas não voltou. Fiquei em oração por ela e, duas semanas depois, retornou, irreconhecível, ainda mais acabada. Fiquei surpresa e feliz ao vê-la. Ela me abraçou e se derramou em lágrimas, pois teve seu bebê, que nasceu abaixo do peso e ficou na UTI. Entregou-se a Jesus e orou durante todo o culto, num sincero arrependimento. Seu único pedido ao Senhor é sair dessa situação, recuperar sua filha, voltar para casa e para seu novo marido. Começar uma nova vida.

O projeto é uma bênção. Às 8h chegamos à Missão e temos o devocional com todo o grupo. Às 9h abrimos as portas para o culto público com os "nóias". O culto é uma bênção e, sem seguida, damos um café da manhã e um local para o banho, onde eles recebem roupa limpa. Enquanto esperam o banho, participam do estudo bíblico. Ao meio-dia, temos outro culto público. Logo após o almoço, nos envolvemos em tarefas do projeto. Às sete da noite, temos o terceiro culto público, onde, logo após, é servido um lanche para todos. Muitos "nóias" freqüentam regularmente a Missão Batista Cristolândia e outros vêm uma vez e somem. Em média, atendemos de 30 a 40 pessoas por dia, sem contar as crianças que são assíduas. Temos culto infantil todos os dias.

Dar um banho em uma mulher malcheirosa, ajudar-lhe a vestir as roupas, servir café com pão, almoço, orar por essas pessoas... ajudar-lhes a encaminhar para uma casa de recuperação e ver a vida voltar a ter esperança. Ultimamente, essas têm sido minhas atividades favoritas. Servir a estes é uma oportunidade que Deus me deu e isso me faz feliz. Sei que o meu Jesus faria o mesmo se estivesse por aqui. Certamente, ele passaria um tempo na Cracolândia paulista e levaria o bálsamo de sua presença que cura, restaura e transforma.

Obrigada por sua parceria nesse projeto. Certamente suas orações têm nos sustentado nesses dias. Estou muito feliz e realizada. Sinto estar no centro da vontade de Deus para esse tempo em minha vida.

Por: Elaine Cristina Barcelos de Almeida - voluntária do projeto Radical Brasil na Cracolândia (SP)
Fonte: JMN
Postado por Débora Padoin Malva


Via: www.guiame.com.br

Um comentário:

  1. Olá Carlos,

    O teu blog é muito bom! Já estou seguindo. Se desejar seguir o meu, será um enorme prazer.

    www.enoquegomesdossantos.blogspot.com

    Abraço

    Enoque Gomes

    ResponderExcluir